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Sinto saudades do dia em que nunca nos encontramos. Sim, daquele em que
não nos vimos pela primeira vez. Desse em que nunca te tive. Daquele em
que não falaste o que eu queria ouvir. De nossa primeira noite que
jamais houve, quando deixamos de conhecer-nos biblicamente até o
desmaio.
Tenho sede da noite em que nem começamos a beber-nos. Sinto fome dos
momentos em que não estavamos um no outro, devorando-nos gota a gota.
Poderia desenhar nos mínimos detalhes tudo o que não aconteceu. O amor
que não explodiu; o desejo que não cristalizou; todo esse nada que não
vivemos tão intensamente separados.
É uma saudade tão grande!... Uma saudade como se nunca tivesse
acontecido. Como este afago que não te mando, e que ainda assim, nunca
o receberás.
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